A dor repete-se… até que seja escutada com consciência.
A minha história com a inteligência emocional
Lembro-me perfeitamente do momento.
Estava numa reunião de equipa quando um superior hierárquico me disse:
“Você tem toda a razão no que diz… mas perde-a completamente na forma como o diz. Tem de ter mais inteligência emocional.”
Na altura, senti-me revoltada.
Só queria ajudar. Estava comprometida, dedicada, envolvida.
Mas aquele comentário ficou a ecoar dentro de mim.
E confesso… não percebia o que ele queria dizer.
Inteligência emocional?
Teria de ser mais lógica e menos emotiva?
Pensar com a razão em vez do coração?
Durante anos, a inteligência emocional era algo que eu procurava em formações e artigos de liderança.
Mas, na prática, eu não sabia o que era sentir com inteligência.
Quando é o trauma que reage — e não o adulto presente
Reagia de forma impulsiva.
Sentia frustração.
Dizia o que não queria — e depois vinha a culpa.
Sabia o que era “certo” fazer… mas não conseguia.
Hoje sei: não era falta de inteligência.
Era trauma emocional não curado.
“O trauma não é o que nos aconteceu. É o que acontece dentro de nós como resultado do que nos aconteceu.”
— Gabor Maté
As nossas reações desproporcionadas não nascem no momento presente.
Vêm de partes de nós que ficaram congeladas no tempo — presas em experiências da dor, da rejeição, do abandono ou humilhação, da traição ou da injustiça.
Quando algo no presente se assemelha a um estímulo antigo, o cérebro ativa automaticamente essa memória emocional.
E quem reage… é a parte ferida.
Mesmo que estejamos num corpo adulto, é a parte fragmentada da personalidade que grita, se revolta ou desliga.
O que diz a neurobiologia emocional?
Traumas emocionais não resolvidos criam redes neuronais específicas — como trilhos mentais automatizados. Esses circuitos afetam:
É por isso que vemos tantos adultos a reagir de forma infantil, defensiva ou descontrolada.
Não é imaturidade moral.
É desintegração emocional.
Trauma, valores e desconexão
Muitas vezes, os nossos “gatilhos emocionais” estão ligados a valores profundos que sentimos ameaçados:
Justiça, respeito, liberdade.
Quando esses valores são ignorados ou violados, a dor antiga emerge.
E se não tivermos maturidade emocional suficiente — ou se fomos educados para calar, aguentar, ou agradar…
Ou calamos demais.
Ou explodimos.
O que mudou em mim?
Quando comecei a reconhecer a origem das minhas reações, tudo mudou.
A verdadeira inteligência emocional nasce quando o adulto consciente assume o lugar da criança ferida.
A inteligência emocional não é talento. É uma escolha e um caminho
Não se trata de suprimir emoções. Mas de reprogramar a forma como reagimos, para que a resposta seja madura, presente e coerente com quem somos hoje.
Com apoio terapêutico adequado, é possível:
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A cura começa por dentro…
Mas floresce quando é partilhada com verdade.
Grata por estares aqui,
Sílvia 💛