Mudar de carreira aos 46 anos?
Pode parecer uma ideia arriscada — ou até insensata — mas foi exatamente isso que fiz.
No início, achei que bastaria recolher-me por um tempo. Como a borboleta que, após o casulo, nasce pronta para voar.
Mas o processo foi bem mais profundo. E, a certa altura, a dor foi tão intensa que senti que estava a morrer em vida.
Tive de “morrer” para a antiga versão de mim — a Engenheira Sílvia Peralta — para renascer como Mentora.
Como uma Fénix que se ergue das cinzas.
A Fénix não nega o que foi. Transforma.
E foi isso que eu fiz.
A Engenheira que Sempre Foi Terapeuta
Durante 23 anos, fui Engenheira de Investigação e Desenvolvimento, apaixonada pela ciência e pela descoberta. Vibrava ao procurar soluções no invisível — nas ligações entre moléculas, nas reações não lineares, nos mistérios da matéria.
Tinha sucesso. Sentia-me realizada. Mas por dentro… algo gritava.
Feridas antigas, dores silenciadas, condicionamentos familiares e emocionais.
Houve momentos em que questionei tudo — não por falta de vocação, mas por me deixar contaminar pelo medo, pelo julgamento dos outros, pela dúvida interior. Quando percebi que:
“A dor de permanecer igual era, maior do que o medo de mudar”
E foi aí que comecei a ouvir o meu coração.
A honrar a minha história.
A libertar o que me impedia de viver com verdade.
De Investigadora de Resinas a Investigadora da Alma
Hoje, continuo a ser Investigadora.
A diferença? Já não estudo apenas compostos químicos. Estudo Pessoas, que também são matéria e energia. Emoções. Sistemas invisíveis.
Antes, buscava soluções no mundo físico.
Agora, encontro-as no mundo interno, espiritual e relacional.
O que me move é o mesmo: a vontade de compreender profundamente, de transformar com propósito, de encontrar caminhos sustentáveis — no plano técnico ou humano.
A minha história familiar ensinou-me que nunca é tarde para recomeçar.
O meu avô paterno, aos 40 anos, em plena década de 1960, emigrou clandestinamente para França. Foi à boleia. Atravessou os Alpes a pé. Sobreviveu. E deixou-nos uma herança de coragem e resiliência que se entranhou nos nossos genes.
O meu Pai, aos 55 reformar-se de uma profissão muito ativa, reinventou-se: regressou à aldeia natal com a minha Mãe, dedicou-se à horta, à casa de campo, ao convívio entre amigos e na coletividade. Continua a ter projetos.
A minha mãe o esteio invisível da nossa família.
Sonhava ser enfermeira. O meu pai, engenheiro. Mas aos 17 e 19 anos, tornaram-se meus pais. Os seus projetos ficaram para trás… para me dar a vida.
E eu, hoje, dou continuidade à vida que recebi deles.
Sou mãe. E também dou vida aos sonhos que ficaram por concretizar.
O olhar analítico do meu pai vive em mim.
A vocação de cuidar e curar da minha mãe, também.
Sou feita de sementes que não chegaram a germinar — mas que florescem agora, através de mim.
Chamada à ação:
Se a minha história ressuou contigo, deixa o teu comentário ou partilha a tua história. Vamos inspirar outros a recomeçar!
O meu objetivo aqui, neste blog, é partilhar a jornada de renascimento e inspirar outros a (re)descobrirem-se. Acredito firmemente que cada recomeço é uma prova de coragem. À semelhança da Fénix, precisamos de aceitar as cinzas do que fomos renascer mais fortes, mais sábios e, acima de tudo, com a certeza de estarmos a trilhar o caminho que faz sentido para nós.
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A cura começa por dentro…
Mas floresce quando é partilhada com verdade.
Grata por estares aqui,
Sílvia 💛